Rambo Era Domingo, dia 26 de Setembro, saí de manhã e disse à minha esposa onde ia. Quando voltei, ela não estava, tinha saído também, mas sem dizer para onde. As horas iam passando, ela não voltava, não me telefonava, nada. O silencio matava-me por dentro. O nosso relacionamento não andava bem, eu já não sabia mais o que fazer. Ela parecia viver só e exclusivamente para os animais. Ai, como às vezes eu odiava estes animais, aqui de casa (trinta gatos e 10 cães, machos e fêmeas). As horas passavam, o desespero dentro de mim aumentava, o não receber notícias dela estava a matar-me lentamente. Passei em revista os problemas da minha vida e verifiquei que a pressão sobre mim era demais, necessitava de um alívio rápido e eficaz. Surgiu a ideia da morte como a paz suprema e o fim de tudo, uma pausa merecida na estúpida de uma vida sem futuro. Exclamei baixinho para mim próprio: Assim não dá mais. Meti-me no carro com a firme decisão de pôr termo à vida. Era fácil. Sabia exactamente onde tudo iria acabar pois já tinha visto o local antes e sabia que o sítio era perfeito. Rápido e limpo! Era fácil, era só atirar o carro dali abaixo. A cerca de cinco a sete quilómetros de casa, bem na minha frente uma carrinha trava, foi como se eu acordasse de um pesadelo, travei, também e bem na minha frente, vejo aparecer um cachorro que rebolara por baixo da dita carrinha que seguia na minha frente. Tive que travar a fundo e desviei-me bruscamente e parei o meu carro. A carrinha que atropelara o cachorro seguiu o seu caminho normalmente como se nada tivesse acontecido. Por segundos fiquei ali parado sem saber o que fazer. Seguir o meu caminho da morte, ou salvar o cachorro? A minha vida ou morte poderia esperar, sem pensar duas vezes, abri a porta do carro e o cachorro entrou apavorado para dentro do carro. Não sabia o que fazer! Decidi voltar para casa com o cachorro. Já em casa reparei tratar-se de um rottweiler bebé, mas não sabia adivinhar a idade. Decidi esperar pela minha esposa, já tinha dez em casa, - se eu pudesse ficar com ele!, mas como lhe dizer, logo eu que era contra ter tantos animais em casa levo mais um e de uma raça que eu adoro. Decidi esperar que ela chegasse logo veria a reacção dela. Ele não saía de perto de mim, era como se a sorte dele dependesse de mim. Quando a minha esposa chegou, a reacção foi a mesma como se visse qualquer outro animal salvo por ela. Perguntei; “- Posso ficar com ele?” Resposta imediata da minha esposa. “- Mas é claro que sim, se gostas dele, e o salvaste da rua!“ Moral da História: A minha esposa tinha estado todo o dia na Petfil, na Expo, na campanha de adopção de animais, e não me tinha dito nada, porque eu mesmo não queira ir a esses sítios. Fiquei em casa e no caminho da morte salvo da rua um animal. Nos dias dois e três de Outubro participei na Expo, na campanha de adopção de animais abandonados e adorei a experência. Hoje, tenho o Rambo, que tem quatro meses e ficará para sempre, na minha memória, que não fui eu que o salvei da rua, mas sim ele, que me salvou da morte Alberto da Costa ( 07/10/2004 ). |