| Artigo da Semana 9 de Maio de 2005  Por Sandra Cardoso
Cada vez que ligo a televisão e assisto a noticias como a desta semana, na qual relatam que um pai e uma avó que espancaram até á morte uma criança… questiono-me se a espécie humana será mesmo detentora de racionalidade, tal como alegamos para nos diferenciar dos animas! Aqui na nossa jangada de pedra junto ao mar, já acontecem frequentemente casos como este, começamos a viver numa espécie de permissão absurda com a violência e com o homicídio. Digo “permissão”, porque cada um de nós tem um dever como cidadão, dever esse que passa pelo acto de entrevir na ajuda do próximo, dever esse que acumula actos como a denuncia de casos de violência e de actuação activa, quando os mesmo se passam perante os nossos olhos, nas ruas, nos nossos bairros, no nosso prédio! Chega de apontar o dedo ás instituições, que todos sabemos terem tantas lacunas, e começar a perceber que cada um de nós pode fazer alguma coisa para alterar o próprio destino, e ou o destino de outrem! Pergunto: aqui não existiam vizinhos que ouvissem o choro destas crianças? Ninguém viu nem desconfiou que algo de errado se passava naquelas casa onde crianças eram torturadas, espancadas e morriam lentamente à fome e à sede! Todos ficamos esmagados pelas imagens que nos entram pela casa, onde surgem crianças do Sul Africano sub nutridas, a morrerem aos milhares, vitimas de fome e doenças agravadas por guerras intermináveis, levadas a cabo por senhores que estão nos seus palácios e que jamais sentiram o que é a fome, a sede, o desespero de ver um filho morrer nos braços de uma mãe que já nem forças para chorar têm! Aqui grito como pode a comunidade Internacional permitir semelhante coisa!!! E por aqui no pais à beira-mar plantado… onde estão os cidadãos, onde vivem estas pessoas que fazem isto ás crianças! Na minha cidade, onde vivem mais uns milhões valentes! Ninguém viu, ninguém sabia de nada??? Pois, “com o mal dos outros posso eu bem”… oiço isto tantas vezes, talvez demasiadas… mas ilustra o sentimento da nossa sociedade, ou de grande parte dela! Não pode continuar! Têm de acabar, temos de pensar como uma aldeia global, e não só utilizar o termo para aqueles que são privilegiados pelo acesso á comunicação, á formação, ao mundo desenvolvido! Como podemos continuar a ser a Capital da Cultura, se a nossa cultura passa pela impunidade de ignorar o choro de crianças desesperadas, esquecer os milhões que passam fome, abandonar animais nas beiras de estradas, torturar crianças, mulheres, etc.… todos com algo em comum, desespero, dor e o abandono por parte das entidades responsáveis e pelas pessoas em geral! Não podemos continuar a votar e a seguir as nossas vidas, imunes a tudo isto. Temos que tomar medidas, temos que ganhar voz… a voz é do povo, tal como a vontade de escolher a quem ceder o poder, não para benefício dos seus interesses pessoais, mas para falar por todos… Não tenham uma atitude passiva perante o que está errado! Tome alguma medida, pode passar pelo simples gesto de pegar no telefone e fazer uma denúncia, quem sabe salva uma vida… e muda tantas outras! A história está cheia de grandes feitos, mas esquece sempre quem está por detrás dos homens que cortaram a fita de inauguração, dos que tem o seu nome na placa… esses são esquecidos, no entanto são os mais importantes! Vamos pensar que somos os tais, indispensáveis, sem o nosso contributo, nada é feito e tudo permanecer basicamente na mesma! Vamos contribuir com um telefone, com uma participação, com um carinho no rosto de uma criança fatigada pela difícil vida, por um bolo á criança que pede nas nossas ruas, por tirar um cão da rua, por dar comida ao gato que mia de fome, por não apitar ao próximo, por respeitar o transito, por ter uma palavra na opção politica, por não fechar os olhos ao que se passa á nossa volta! O oceano é composto por pequenas gotas… pense na sua vastidão! Sandra Duarte Cardoso |